domingo, 23 de dezembro de 2012

Banca

Foto: Fabiano Trichez

Amém para a civilização
Que quer todos certinhos
Bom corpo
Boa saúde
Bom comportamento
Istoé evidente
As melhores capas
Os melhores salários
Os melhores brasileiros
Tudo para o seu Exame
Aliás tudo para você ver
VEJA!
Bravo! Envelheça também
Mas seja teen
Ou atrevida
E tenha uma Vida simples
Garanta as quatro rodas
do seu bem estar
Mas não dê as Caras
Quem poderia fazer isso
eu não entendo
a minha novela
Mas eu entendo
todos os enrendos
Nesse Mundo Estranho
até Super Interessante
Talvez criativa
Afinal tudo se resolve
com pequenas empresas
Grandes negócios!
E saia fácil do ar
rasgando as páginas
no banheiro
da Vip
Nem todo o manequim
é perfeito
Mas Despertai
Porque meus caros amigos
Todo o seu desejo
Pode ser só uma propaganda
Da coisa mais inútil
Que sempre tivemos necessidade
e não sabiamos.

As nossas necessidades
devem ser revistas.

Mayara Floss

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Agradecimentos da Exposição Fôlego



Esta semana, chegou a hora de desmontar a exposição, são muitas as coisas que passam na nossa cabeça. Foram muitos passos para construir este espaço, desde organizar as fotos, decidir os poemas, revelá-las, idas a Pelotas para enquadrá-las. A montagem no espaço do Centro de Convivência do Campus Carreiros- CC da Universidade Federal do Rio Grande-FURG, com a companhia do Gê Fonseca, depois o lançamento com a presença da Pró-reitora em exercício a Giane, e as palavras do Carlos Pérez que foram muito marcantes. 

Foram muitas palavras boas por estarmos abrindo o espaço do CC para uma exposição é emocionante ler o caderno que deixamos para os recados. Foi muito bom ter o carinho, as críticas e o acompanhamento de vocês. 

Mas inegável não falar sobre o que aconteceu no meio deste caminho, da retirada da exposição e da sua realocação para o debate das chapas concorrentes do Diretório Central dos Estudantes-DCE. Para dar luz a alguns fatos a Comissão Eleitoral do DCE – CoDCE entrou em contato informalmente via facebook no dia 12/12/2012 às 22h13min com apenas um de nós não aconteceu uma autorização de fato dos dois autores para a movimentação da exposição, foi consultada apenas a Mayara Floss, e ficou para a definição no dia seguinte se a movimentação dos expositores iria ocorrer. Além disso,  tudo foi feito de última hora (a decisão de alteração do local do Centro Integrado de Desenvolvimento Costeiro-Cidec-Sul para o CC foi realizada no dia 12/12/2012 e o debate seria no dia 13/12/2012).  Entendemos o momento que acontecia na Universidade e  o seu debate para as eleições do DCE e que o CC é um espaço de todos, porém, foram cometidos erros durante o processo e como os dois autores não estavam na cidade, não foi possível acompanhar a movimentação. Gostaríamos de agradecer a todos que se envolveram nesta fase e nos auxiliaram na nossa ausência e que se manifestaram apoiando a nossa Exposição. Tudo foi literalmente um Fôlego.

Agora estamos aguardando a confirmação da nossa ida para a Feira do Livro do Rio Grande. E alguns outros projetos para levar em outros centros para expor. Mas na feira do livro, com certeza, vamos ter o lançamento do livro Fôlego. Esperamos encontrá-los lá, assim que tivermos confirmada a data do lançamento e da noite de autógrafos avisamos vocês.

Um abraço e muito obrigado!

Fabiano e  Mayara

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Exposição Fôlego será desmontada dia 18/12/12




Caros,

Viemos por meio deste avisar que a exposição será desmontada amanhã à noite dia 18/12/2012 e não como o previsto no dia 20/12/2012.

Abraço,

Fabiano Trichez e Mayara Floss

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Aprender

Foto: Fabiano Trichez

Na vida sempre temos que estar
dispostos a aprender
O medo é o melhor
termômetro do equilíbrio
Porém parece que somos máquinas
Engrenagens de saber
Enciclopédias, computadores
Mas que ao desligar o sistema
esquecem, porque de fato
não aprenderam, apenas
mecanizaram-se
Perdemos a curiosidade
E abrimos um livro
Com o destino final
de uma prova
Apenas movimentamos o sistema
E o sistema nos movimenta
com retidão
Penso no que a escola
tem feito comigo
E não sei se sinto desespero
Ou resignação
Só espero manter meu coração
interrogador para não cansar
Manter-me andando
em minhas ideias
Espero poder me salvar
Dessa inundação de ideias vazias

Mayara Floss

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Divulgação da Exposição Fôlego

Agradecimentos especiais para todos que estão ajudando a propagar o Fôlego. Principalmente a Andréia Pires ( http://desolaseasas.blogspot.com.br/ ) que auxílio na divulgação da Exposição e do Livro.



Muito obrigado,

Mayara Floss e Fabiano Trichez

Lançamento da Exposição Fôlego

Caros,

Ontem foi o lançamento da exposição e do livro meu e do Fabiano Trichez! Quanta correria, mas foi ótimo. Antes de começar o lançamento li a lista de textos selecionados para o Livro do Poetas de Pijama (outro trabalho que estou na organização junto com o Pedro Porciúncula). Também mostramos a capa do livro ilustrada pelo Wagner Passos.


Depois da leitura dos selecionados. Iniciou o Lançamento do Livro e da Exposição, primeiro com as palavras da Giane (pró-reitora em exercício) e depois com a fala do Carlos Pérez que se tornou um grande amigo. As palavras de Carlos foram emocionandas quando falou que o Fôlego é uma obra acima de tudo franca, sincera e aberta. 

Foi muito bom estar rodeado de amigos para o lançamento do livro as palavras e o carinho, nada disso aconteceria sem vocês - e nada de chavões, vocês ampararam todo o processo.Agradecimentos especiais também ao Gê Fonseca que suou e participou de tudo conosco, a Dê que organizou o coquetel, a toda a equipe da PRAE que foi constante no apoio (a Michele e a Darlene), em nome do Miguel todo o NAC, e a PROEXC. Também agradecimentos aqueles que ajudaram a construir o Livro: Wagner Passos com as idas para tirar as fotos, o Iraí e toda a gráfica da FURG, o Hugo Lenzi que deu o apoio e escreveu a apresentação do livro, a Cris da Biblioteca Central que auxíliou na ficha catalográfica, a Paula Perusato pela revisão do livro - e toda a lista interminável de pessoas que estão juntas nesse Fôlego.

Espero que Fôlego permita quebrar o preconceito que existe muitas vezes nos espaços de arte. A arte não precisa estar amarrada a um curso apenas, mas pode estar entrelaçada com as nossas vivências. Eu e o Fabiano deixamos o nosso Fôlego para todos.


Meus sinceros agradecimentos,

Mayara Floss

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Montagem da Exposição Fôlego

Caros,

Hoje passamos o uma tarde e uma noite montando a exposição Fôlego (Mayara Floss, Fabiano Trichez e Gê Fonseca), é com muita alegria que deixamos um pouco do resultado em fotos aqui, e convidamos a todos para a acompanhar a exposição ao vivo. Amanhã tem o lançamento no Espaço Ecumênico do campus Carreiros da Universidade Federal do Rio Grande (Rio Grande/RS) às 19h30.


Abraços,

Mayara Floss e Fabiano Trichez

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Muda

Foto: Fabiano Trichez

Falam
Porém não se ouve
Elas não se fazem escutar
São sentidas
Mas são mudas
As palavras gritam
Si-len-ci-o-sa-men-te.
Nem conseguem sussurrar!
E mudam rapidamente
o sentido
Ainda assim,
Mudas elas mudam

Mayara Floss

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Site da Exposição Fôlego

Caros,

Criamos um site da Exposição Fôlego ( http://fabianotrichez.wix.com/folego ) com as fotografias da exposição e maiores informações.


Abraço,

Mayara Floss e Fabiano Trichez

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Os trabalhadores “sem cabeça”


Depois de alguns dias do Encontro Regional dos Estudantes de Medicina em Santa Maria que aconteceu do dia 18 de novembro de 2012, almoçando e jantando no restaurante Universitário da Universidade Federa, de Santa Maria (UFSM), percebi que a discussão era ótima. Porém, ao agradecer à senhora que servia comida no meu prato eu não recebia nem um olhar, ela continuava com a cabeça baixa.

Aqui no Restaurante universitário é o local no qual a nossa fome é saciada. Saciada, inclusive, pela comida ou pelo trabalhador que faz a minha comida? Neste lugar, eu saia como uma linha de produção, tinha que comer rápido. No primeiro dia, acostumada a comer devagar a luz foi desligada para me acelerar e ainda escutei por um aterrorizante sistema de som que deveria levantar e terminar de comer para poderem fechar as portas. Enfim, chegava o momento de colocar os restos da minha alimentação (para auxiliar na dinâmica e serviço dos trabalhadores, como acontece na maioria dos Restaurantes Universitários). Primeiro havia um balde  para colocar os restos de suco, depois uma lixeira para os guardanapos, depois um local para colocar os talheres, entregar o prato, colocar os copos de suco e, por fim, deixar a bandeja.

Ali tinham vários trabalhadores “sem cabeça”, havia uma parede branca que me permitia ver só as mãos deles, colocava os talheres e via mãos recolhendo, colocava o prato e passavam mãos para pegá-los e várias mãos até o final da linha de produção. Eu sempre agradecia conforme eles iam pegando meu prato, talheres, copos... E no meu último obrigado a um desses trabalhadores um homem se abaixou de maneira canhestra e olhou por baixo e disse “obrigado”. E eu me abaixei e fiquei olhando para ele, por aqueles segundos de olhar que transmite muitos sentimentos. Os trabalhadores ali  aparentemente não pode nem interagir com os acadêmicos.

Me falaram que passam pelo restaurante aproximadamente 8000 alunos por refeição. E ninguém se importa em agradecer, trocar um sorriso, conversar com aquelas pessoas que ficam “sem cabeça”. Eles não cumprimentam, parecem que não tem rosto! Parece que nós não temos rosto! E assim seguimos, vivendo de resignação e sucesso?

Mayara Floss

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Sonho




Nasceu.
Quando tinha dois anos
decidiu que queria ser astronauta
E andava de nave espacial
pelo seu quarto
Cresceu.
E como tinha de ser
foi para a escola
Decidiu que queria ser bombeiro
Porque só um brasileiro
foi para o espaço
Ouviu sua professora
E viu seus pais irem trabalhar
E cresceu mais um pouco.
Decidiu que ia ser jogador de futebol
para pelo seu time fazer gols
Mas o ofício não agradou
E depois de muito jogos
Este sonho de lado ficou.
Cresceu ainda mais.
Decidiu que queria ser músico
sonhava em ser um rock star
Mas sua família já adiantou
Que música não dava dinheiro
E mais um sonho se foi.
Seus sonhos não cabiam
em lugar nenhum.

Foi quando parou de crescer.
E decidiu que queria ser rico
Para poder enfim sonhar.

Mayara Floss

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Lançamento da Exposição e do Livro Fôlego


Caros,
É com muita alegria que anunciamos o lançamento da Exposição e do livro Fôlego resultado da seleção e da organização de vários textos, poesias e fotografias do blog (além de algumas coisas inéditas). Na exposição são 40 fotografias e poemas, e no livro 60.

Estaremos expondo nas seguintes datas:

- 05/12/2012 até 20/12/2012 - Centro de Convivência do Campus Carreiros da Universidade Federal do Rio Grande.
24/01/2013 até 03/02/2013  - 40ª Feira do Livro da FURG, praça Dídio Duhá - Balneário Cassino.

Segue o release: 

" A ideia desta exposição surgiu como um fôlego. O transpirar, respirar e viver da escrita e da fotografia. Das pessoas que aqui foram fotografadas, das paisagens que foram congeladas e reveladas, mas movimentadas com palavras.

Um fôlego pode ser um descanso, uma retomada de ânimo e podemos até perder o fôlego. Aliás, muitas vezes corremos tanto no nosso cotidiano que perdemos o fôlego, corremos até não podermos mais. Ou a nossa emoção fala mais alto e perdemos o fôlego. Como um flash no meio da noite ou um ar no meio da fumaça, deixamos aqui o nossa obra de fôlego.

Para este livro e exposição, nós saímos juntos pelas ruas de Rio Grande-RS,  São José do Norte-RS. Visitamos a Ilha dos Marinheiros (Rio Grande-RS), ouvimos as histórias desta cidade, e principalmente das pessoas que vivem aqui.

Fotografamos e escrevemos. Também, selecionamos os mais de 200 textos, poemas e fotografias do nosso blog (www.entre-primos.blogspot.com), que trás imagens de Pinhalzinho-SC, Paraty-RJ e Florianópolis-SC.De tudo, escolhemos 40 fotografias e textos, alguns inéditos, para compor a exposição e 60 fotografias e textos para o livro.

Aliás, tudo surgiu da ideia de montar um blog o “Entre-primos” em 2009 que integrasse duas linguagens distintas, porém complementares, fotos e palavras foram amadurecendo com o tempo. Realizando uma “conversa” entre essas diferentes formas de expressão. 

Assim, depois de três anos do projeto do blog podemos lançar exposição “Fôlego”. Deste modo, inspire, respire fundo, de novo, mais uma vez, transpire, inspire e respire-se. Esta é a proposta deste livro, um fôlego de palavras e imagens."


Contamos com a presença de vocês,

Mayara Floss e Fabiano Trichez

sábado, 10 de novembro de 2012

Ilha dos Marinheiros


Nos barcos da ilha
Transpiram os dias
A dez minutos do centro
E salvos de qualquer lugar
Pescadores e agricultores
Contam histórias de Iemanjá
E em meio a cebolas e flores
Abençoam todo este mar
Mas correm as bruxas
Pela noite, nas sextas
A crina de cavalos a trançar

28/10/2012

Mayara Floss

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Tijolos


Cidade de concreto
Sem espaços para os jardins
Cada palmo de chão virou
Apartamento, casa, loja.
Construção.
E o mais perto de ver fora
É atrás dos muros
Atrás de uma janela de vidro
Tudo pela valorização
Pelo mercado imobiliário
Pelo investimento,
Pelo aumento, pelo implemento
Coloque acabamento
Base e  estrutura
E garanta todo o nosso caminho
De cimento
E pinte tudo de verde
para lembrar a natureza.
(e picham as ruas de alegria
Para sair da monotonia
De envelhecer no meio
dos tijolos)
Mayara Floss

sábado, 3 de novembro de 2012

Pessoas


É assim que nascem os poemas
Dessas pessoas fantásticas
que cruzam nosso caminhoo
A poesia é um fragmento,
uma coleção de sentimento,
um retrato de ser humano
em palavras

Mayara Floss

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Sorriso



Ele tinha poucos dentes na boca
Mas seu cavalo novo Faísca
Tinha muitos!
Mas, não importa
quantos dentes tem na boca
O que importa
é o tamanho do Sorriso

Mayara Floss

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Entre-primos no FM Café

Os "primos": Mayara Floss e Fabiano Trichez - Foto: Tiago Larrosa

Hoje, terça-feira (30/10/2012) participamos do FM Café conversando sobre a Exposição Fôlego e sobre o Blog, além de conversar sobre fotografia, declamar um poema e entrar na roda com a Rosane Borges, o Péricles (integrante da Academia Rio Grandina de Letras), o Pedro Porciúncula do AnarchyInk (http://anarchyink.blogspot.com.br/ ) e o Evandro Gomes criador do Grupo no facebook "Poetas de Pijama" ( http://www.facebook.com/groups/302710203133682/ ) .

É possível assistir o vídeo no youtube:




Da esquerda para direita: Evandro, Pedro, Pérciles, Rosane, Mayara e Fabiano - Foto: Tiago Larrosa


Um abraço,

Mayara Floss e Fabiano Trichez

"Primos" no 13º Poesia no Bar


Chegamos tarde para o 13º Poesia no Bar, mas estávamos fotografando a cidade. Fomos até a Ilha dos Marinheiros para podermos fazer umas pics boas para a Exposição que está por vir. Adentramos o bar na última rodada e deu para fazer umas fotos e ler um poema. Deixo os parabéns para o "V" que lançou o seu livro "O Balcão das Artes Impuras" que é uma coletânea de textos do blog (http://dasartesimpuras.blogspot.com.br/ ) . Conheci o Rody, o Paulo Olmedo (que estava com o seu livro "A razão do Absurdo") , a Ju Blasina . Ficamos na companhia de Andréia Pires (com o livro "De solas e asas") , a Vania (nossa agitadora cultural que junto com o Wagner comandam o Bergamota Cultural). Aliás, agradecimento especial ao Wagner que está nos acompanhando e levando conhecer as outras faces de Rio Grande.

Mayara e o caderninho de rascunhos
Jairo Lopes poemas de chuva


Wagner Passos lendo o poema de seu pai Ivonei D'Peraça "Cidade dos Ventos"

Nicholas Lucena com o seu "poema de merda" (perdoe-me as palavras)
Ju Blasina coordenando o pessoal

Sérgio Quintian falando de amor sem pudor
Diego com a declamação marcante "Vagabundo"

Um desconhecido...
Ingrid - que precisa se aventurar mais na escrita

"V" com declamando como se pregasse
Para encerrar uma harmônica.

 Abraço,

Fabiano Trichez e Mayara Floss

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Tóxico

Foto: Fabiano Trichez - "Rio Grande à noite"

Todo mundo morre aos poucos
Mas estão matando Rio Grande aos poucos
Assassinada
Pelas chaminés da noite
Soltando toda a sujeira do dia
E vai impregnando
Na alma, na pele, no corpo
Aqui o  tempo passa mais depressa
Mas rasga com calma
E vai arrancando devagar
A saúde que nos resta

Mayara Floss

sábado, 27 de outubro de 2012

"Entre-primos" no FM Café da TV FURG


Nesta terça-feira dia 30 de outubro de 2012 os "Primos" Mayara Floss e Fabiano Trichez estarão conversando no programa transmitido por Televisão e Rádio no programa FM Café da TV FURG transmitido das 13h as 14 horas. A rádio pode ser escutada na frequência 106.7 mhz e a TV FURG pode ser vista no canal 7 para quem tem Via Cabo e no canal 15 da NET ou ainda no site: http://www.furgtv.furg.br/ . A ida ao programa é para falar além do blog "Entre-primos" e do projeto da Exposição "Fôlego" que irá acontecer no final do ano, começando pela Cidade de Rio Grande/RS.

Um abraço,

Mayara Floss

Exposição no UFSCTOCK


Foto minha (Fabiano Trichez) que saiu no Diário Catarinense! Vou expor 5 imagens no UFSCTOCK, Festival Universitário de Artes Integradas, na UFSC, em Florianópolis, de 25 a 28 de Outubro.

Segue o texto de Gabriela Dequech falando um pouco mais:

"O grupo Vitamina Coletiva invadiu Balneário Camboriú com frases positivas como “Já pensou em algo que você queira dizer para o mundo?” e “Gentileza gera Gentileza”, agora o registro dessa intervenção urbana vai invadir o UFSCtock!

Breno Turnes é formado em cinema, mas trabalha com fotografia. Ele vê a cidade de uma forma diferente e retrata o cotidiano das pessoas. Suas fotografias também estarão expostas aqui no UFSCTOCK.

Clara Meirelles mostra com suas fotografias os pequenos preconceitos que ainda existem na sociedade. Ficou curioso? Então vem pro UFSCTOCK ver como ficou esse trabalho!

Fabiano Trichez, formado em fotografia, caminha pelas ruas e retrata poeticamente tudo o que vê. Você pode acompanhar esse percurso no UFSCTOCK!"

Vejam mais: http://ufsctock.com/artesintegradas/artes-visuais/

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Pescadora


Sentei na beira do galho
Pescando
E fiquei esperando
Que alguma estrela
Fisgasse o meu anzol
E quando o dia amanheceu
O sol escondeu as estrelas
E voltei para a casa
Com a cesta cheia de luz
Só é pescador, quem tem histórias
para contar

Mayara Floss

domingo, 21 de outubro de 2012

Quando



Quando você se cansar de mim
Quando cada canto, cada curva
Já tiver sido desvendada
Quando souber tudo de mim
Saiba que está na hora de voltar
A ser aprendiz
Desde o começo
E desbravar o universo em mim

Mayara Floss

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Criança


Ser adulto é ter saudades, criança vive no seu tempo. Comecei a crescer e ver que o tempo passava muito mais rápido, eu não compreendia, de repente já era dia das crianças, natal e ano novo. E eu trocava de série. De repente eu tinha uma irmã. Meu corpo foi mudando, fui crescendo, de repente eu já conseguia alcançar os botões no elevador (na ponta dos pés e sem precisar pular). De repente eu era grande demais para o parquinho e não podia andar de balanço. De repente eu tinha que arrumar minha cama todas as manhãs. De repente era coisa de criança brincar de boneca. De repente eu já podia ir sozinha no colégio. De repente eu não queria mais escutar as músicas que meus pais ouviam. De repente meu pai não pagava mais meio jantar na pizzaria. De repente eu tinha muita vergonha de dançar São João. De repente eu queria ser dona do meu nariz. De repente minha mãe deixou eu usar sua maquiagem. Aí ela deixou eu comprar um sapato de salto. De repente eu queria fugir de casa. De repente eu ganhei sutiãs no dia das crianças, mesmo querendo um lego. De repente eu tive espinhas. De repente eu menstruei  - e não gostei. De repente tive que ter uma conversa séria. De repente meus pais me levaram em uma festa e eu fui sozinha. De repente minhas amigas começaram a namorar. Logo eu já tinha um namorado também. De repente eu bebi demais. De repente eu tinha que fazer as compras do mercado. De repente minha irmã mais nova ficou maior do que eu.  De repente eu me separei, me mudei e tive que pagar as contas. De repente eu virei adulta e nem percebi.

Mayara Floss

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

(H)abituar-se


Todo dia-a-dia é dia de hábito. Talvez porque vivemos praticamente sempre no mesmo habitat, e todo o costume se justifica por um hábito de fazer tudo sempre igual. Ser igual. Comer igual, cantar igual, ouvir igual, assistir igual. Pergunto-me onde estão nossos hábitos. Nos vestimos igual, porque é a moda. Ou melhor, nos desvestimos.  Sinceramente não sei o quanto o hábito de desvestir-se é pior do que o abito que deixa só os olhos a vista. Mas tudo é uma questão de moda e hábito. Enquanto o que nos habita é a sensação de vazio. Porque esvaziamos nossos hábitos para usarmos os mesmos abitos. Pode ser o terno, a burca, a camisa, a saia, o sutiã, a nudeza. A nudeza do corpo, mas a vestimenta da mente. Pode ser a crença, a ideologia, a mentira. Onde andam nossos hábitos? E nossos abitos? Onde vestimos nossos hábitos. Estamos cheios de capuzes para o que pensamos, porque é melhor, mais seguro, pensar habitualmente. Estamos cheios de informações e cada vez mais pobres. Por isso, tire seus abitos. Mude seus hábitos.

Mayara Floss

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Doses


Juro, não é alucinação
Nem ilusão
Mantenho minha percepção
E a minha realidade é bem normal
Mas se estou muito triste,
Só pode ser depressão.
E luto pelo meu luto
Porém cuidado que se de repente
Eu ficar feliz demais, só pode ser mania
E não genuína alegria
Porém, se eu falar demais,
Tiver agitação e falta de concentração
Venha com Hiperatividade e ritalina
Se não der certo, tente imipramina
Se me der palpitações e falta de ar
Salve-me da minha ansiedade
Sou profundamente esquizofrênica
Sofro de amnesia
Tenho bipolaridade
E não me deixe despersonalizar
Sou o meu  consultório
E a minha farmácia
Por favor, me prometam um diagnóstico.
Por favor, cura-me dos meus sentimentos
Cuidado com a minha hipocondria
Mas quando eu ficar velha me dê lorazepam
Mantenha-me com lítio
E se eu não sentir mais prazer
Trate a minha anedonia
E socorra-me da psiquiatria
Da psicologia, da psicanálise, da psicofobia
E garanta-me doses controladas
De felicidade

Mayara Floss

sábado, 6 de outubro de 2012

Crônica no jornal


Gostaria de agradecer ao Jornal Folha Gaúcha pela publicação de um conto meu ("Pirulito") ilustrado pela Roseli autora do blog Rosalilustras (www.humorzerocartum.blogspot.com.br) que aliás, achei a ilustração fantástica, é muito interessante ver as diferentes formas de interação entre as linguagens (imagens e escritas), além disso o desenho ficou encantador, transpassando a ideia do conto. O Claudiomiro Machado (autor do blog Direitos Autorais e Registro de Obras: direitosautoraiseregistrodeobras.blogspot.com.br )que organizou os textos, parabenizar o Rody( do Blog do Rody: www.blogdorodycaceres.blogspot.com.br) que teve também a sua crônica ilustrada. Por fim, agradecer o Pedro autor do blog Anarchy Ink. (www.anarchyink.blogspot.com.br) que me passou o contato e permitiu essa oportunidade e parceiro de alguns projetos que por aí virão. 

Abraço,

Mayara Floss

sábado, 22 de setembro de 2012

Capítulos médicos da universidade I – Humanidade


"Se você faz o que sempre fez, você obterá o que você sempre obteve. " -  Anthony Robbins
Muitas vezes a parte mais humana da medicina é o discurso. Faz muito tempo que quero escrever este texto, talvez só uma madrugada de chuva e insônia poderia me dar a combinação perfeita, e essa noite chegou e talvez fique aqui escrita por muito tempo.

Já faz cerca de um ano, eu em meu jaleco branco, cabelo amarrado, estetoscópio no pescoço, pasta no ombro, prancheta na mão – uma aluna de medicina do segundo ano na aula de semiologia. Estávamos no hospital de cardiologia, depois de fazermos a história e examinarmos uma paciente o professor chamou-nos. Começou a falar de um caso muito raro, um paciente com uma cardiopatia difícil de aparecer nos plantões. Na verdade já tinham me falado deste paciente, outros alunos que já haviam examinado ele durante o plantão noturno, e outros que já haviam examinado pela manhã. Era um caso realmente fantástico, “de livro”.

Meu grupo estava ansioso por inspecionar, palpar, percutir, auscultar, aferir, organizar, sintetizar, examinar, descobrir, diagnosticar... Vi colega por colega meu fazer todos os passos, porém no meio de toda aquela ciência, comecei a observar o paciente, não como uma futura médica, mas como uma pessoa – sem esperar ver sinais e sintomas. Ele sem camisa, sentado, seguindo todos os passos de forma cooperativa, depois de cada colega meu examinar e mal dar um “tapinha” em seus ombros agradecendo, ele sorria.

Comecei a observar o sorriso, ele era negro, jovem, sorridente, compreensivo – porém, notei as olheiras, o cansaço, a magreza, a respiração profunda. Como seria estar envolto de vários alunos de medicina, professores, médicos, enfermeiras e afins.  Ele não parecia assustado, porém tinha algo angustiante entre eu e ele.

Um exército de jalecos e estetoscópios aproximava-se e partia, muitas pessoas examinaram ele. Percebi que fui me deixando para trás, até que chegou a minha vez. Quando me aproximei, falei em um suspiro: - Já estamos terminando, sou a última -. Ele apenas sorriu e olhou para baixo, como tinha feito com todos os meus colegas. Examinei.

Quando terminei, chamei-o pelo nome e pedi se ele gostaria de ouvir o que tanto ouvíamos no seu coração. De repente ele sorriu, mas foi um sorriso novo. Ele concordou com a cabeça. Eu procurei um foco cardíaco segurei no peito dele e coloquei o estetoscópio nas orelhas dele. Ele abaixou a cabeça e prestou atenção, ficou todo o tempo escutando-se.

Hoje, queremos nos conectar sem vínculo, sentir sem envolver-se, cuidar sem abraçar. Será que somos solúveis e instantâneos que não podemos segurar a mão de uma outra pessoa. Quantas vezes analisamos ? Quantas vezes nos analisamos? Quantas vezes só cumprimos o protocolo? A medicina é incrível, com o passar do tempo o tato muda, os olhos mudam, os ouvidos, o olfato muda – nós mudamos, e espero poder me reconhecer no espelho.

Poucos minutos depois, senti o professor tocando minhas costas, chamando para sair do quarto para fazermos a discussão, com uma certa pressa e muito incômodo dos meus colegas. Percebendo, ele levantou os olhos cheios úmidos. Havia um brilho e um sorriso. Era como se nossos olhos tivessem ficados conectados , suspensos, cúmplices – agora ele podia ter ouvido o que tanto o examinavam.
Ele me abraçou e me agradeceu, de uma forma profunda e sincera. Nesses momentos exatamente humanos da nossa existência. Deixei meus colegas partirem, auxiliei-o a colocar sua camisa e me despedi, ele sorriu novamente, era diferente.

Quando fechei a porta, estavam todos apavorados comigo, avisando-me para eu ser cautelosa, para eu higienizar meu estetoscópio, aproveitar o tempo da aula, que eu não podia ter essa postura, e etc. Isso não fez nenhuma diferença, estava envolta por uma nuvem de consciência e com um soluço sem lágrimas preso a garganta em silêncio. Segui a aula, segui os dias, estava no hospital quando ele deu alta e ele veio e apertou minha mão e sorriu. O paciente é um universo, como diria um professor.

Mayara Floss

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Me disseram que o mundo ia acabar


Sabe me disseram que o mundo ia acabar
Para mim pareceu até intriga popular
Me falaram de um tal de ciclone
E até de um navio que decidiu se navegar
Me falaram de festa e saiu até no jornal
O apocalipse, o grande drama, o final
Mas daí você me vem
Com cervejas e amor
Qualquer desculpa
para comemorar a nossa dor
Liga para o pai, a mãe,  e o avô
E manda uma boa lembrança
Deseje feliz aniversário
Amo vocês e tomem cuidado
Mas o telefone nem funciona!
E você tem prova na próxima semana
Quem sabe um dia o Rio Grande vire mar
E não sobre história para contar
Então coloca uma música boa no rádio
E me dá um beijo apertado
Que eu preciso de trilha sonora para o meu fim
Ainda vou ter que fazer  meu último poema
Para quem sabe um ET me encontrar
Espero que dê tempo de compartilhar
E lá se vai o meu calendário
E eu vou morrer sem conhecer
O meu itinerário
Tenho ainda umas parcelas para pagar?
Espero que o meu cartão de crédito
também vá se afogar
Porque me disseram que o mundo ia acabar


Mayara Floss

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Café solúvel e instantâneo


A relações hoje são como o café solúvel e instantâneo. Solúveis porque se desfazem na solubilidade moderna, intensas e fortes como café, mas essencialmente instantâneas. Também podem ser amargas ou até doces, serem incrementadas com outros sabores, mas todas deixam-se com um certo gosto no paladar. Além de tudo o café é líquido, afinal nesses tempos nada de relações sólidas. Aliás, liquidificaram as sensações e você sente uma mistura de tudo, para não aprender a aproximar-se aos poucos, a sentir aquela pessoa, vem tudo de uma vez como o vigor da cafeína. São igualmente estimulantes e viciantes, porém podem te dar azia, (afinal melhor é não relacionar-se e quanto mais rápido, fugaz, - melhor). Você garante que sentiu o sabor mas não deixou tempo para terminar a xícara, ou para acompanhar até uma próxima cafeteria. Quando vês já passou e já queres um novo sabor, porque sua língua também não tolera a solidão. Ainda, deve ser fácil e prático, porque não temos horas para dispender nesse caminho. Melhor ainda se bem industrializado, com muito pó no rosto e pouco desgosto, ainda tem o preço, um café é barato para todo o bolso. E o barista do tempo moderno deixa tudo cada vez mais expresso, mais curto e pingado, ou dilui tudo em um café americano porque são poucos que querem poder saborear o grão e apaixonar-se sem pressa ou a expressar-se além cafeína.

Mayara Floss

domingo, 16 de setembro de 2012

Samba


Eu não sei sambar
Embora saiba que quando toco
Nas tuas cordas minha guitarra
Com as pontas dos dedos
Desenhando em ti os passos
De meu desejo
Enrosco-me nos acordes
E arpejos de teu som
De violão
E sei que minha alma dança
Em teu braço
e tocamos nossos corpos
Na madeira desse compasso
Como dois apaixonados
Dançamos abraçados
Em baixo desse teu tampo vibramos
E quando nos afastamos
Sabemos que não tem sentido
Sambar sozinho

Mayara Floss

sábado, 15 de setembro de 2012

Apagão




De repente eu estava torcendo
Para cair a luz
Enquanto a chuva batia na minha janela
Torcia para poder ficar eu, a chuva e a lua
(e talvez uma vela)
Tamborilando no tempo
No silêncio escuro da cidade
Afinal, nenhuma tempestade
É como meu interior
E nada como tocar um temporal
E sentir essa simpatia natural
Escorrendo em meu corpo
E toda a realidade
É apenas um lampejo de um trovão
Clareando minha alma
Nessa afinidade
Líquida de tempo e canção

Mayara Floss

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

“Eu não posso perder”


     A vida é uma linha tênue que liga-nos em sangue e luta. Cada batalha interior, dentro das paredes do que vivemos torna-se um pequeno triunfo de existir. Somos anestesiados pelas horas, pelo dia-a-dia, mas a dor é independente do poder da anestesia, ela corta, queima ou dói em pontadas, e nunca estamos preparados.
    Era madrugada, ela tinha uma tatuagem no pé, os cabelos curtos e pitados, olhos verdes, o corpo magro, as unhas pintadas de vermelho, um resto de maquiagem na face, era pequena. Enquanto adentrava o Centro Cirúrgico já estava em torpor, submersa nos minutos anteriores. A equipe se preparava, naquele automatismo rápido e preciso (dentro dos limites humanos), alguns gritos e alguns silêncios. Uma enfermeira lia a história da paciente enquanto ajustavam as luvas. Ajustava-se a luz, terminava de aprontar a instrumentação. Silêncio.
     O tempo parecia anestesiar os minutos, logo todo o nervosismo passou, era anatomia, era cirurgia. Doía mesmo sem consciência. Enquanto a experiência parece justificar todo o método da equipe, consciente ou não ela deixa rolar uma lágrima. O vermelho, o cheiro, o soluço sem choro estavam na sala. Há sangue correndo, provando o quão delicada é a vida. Às vezes o silêncio parece tocar uma doce música triste, enquanto ele é interrompido por algumas palavras como “pinça” - ele vai afinando o futuro.
Ela sonha, com os dinossauros de plásticos que havia comprado, imaginando eles jogados chão, sonha com o quarto, o guarda-roupa, o assoalho, o cheiro. Ela vive aquela ausência presente da sua imaginação.
    Depois de algumas bolsas de sangue e de oscilação, ela sente aquele momento em que o coração parece parar de bater, embora ele continue sem perder o ritmo.  Talvez seja hora de acordar. O sono artificial é como uma nuvem que se dissipa rapidamente. E logo começam a chamar pelo nome, a dar leves tapinhas no rosto. As respostas iniciais são pequenos resmungos. A equipe tinha aquela dor de rasgar a alma, mas que já não sentiam mais, pois tinham se acostumado.
    Demorou para ela despertar do sonho, já estava na sala de recuperação, a boca e a lágrima secas. Enquanto piscava os olhos, começou a falar repetidamente, primeiro ninguém compreendia. Depois com o tempo e a doce música triste do silêncio as frases repetidas começaram a ficar claras e com a mão no ventre dizia: “Eu não posso perder”. 

Mayara Floss

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Rádio Relógio



“Todas  as  madrugadas  ligava  o  rádio  emprestado  por  uma colega  de  moradia,  Maria  da  Penha,  ligava  bem  baixinho  para  não acordar  as  outras,  ligava  invariavelmente  para  a  Rádio  Relógio,  que dava ―hora certa e cultura‖, e nenhuma música, só pingava em som gotas que caem – cada gota de minuto que passava.” – Clarice Lispector em “A hora da estrela”

Que medo das horas pingando
No relógio.
Para facilitar, talvez seja só partir
(e fechar a porta)

Mas deixes o rádio tocando
Para ver se as paredes ouvem a música
que tanto gostas

Para sentir se elas escutam o gosto
da tua presença
Enquanto o relógio goteja
Mesmo com o corpo e o tato distantes
(Contando o tempo por ti)

Equalizando essa frequência
de ausência
Balançando os ponteiros

Partas, mas sem esqueceres
Que toda a programação do rádio
- Diz as horas.

Mayara Floss

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ciclo


Quantas voltas
No ponteiro
Revoltas do relógio
Ciclos sem volta
Pedaços de  giro
Fronteiras de tempo
E cruzadas revoltosas
Para completar
Esse caminho sem fim
Essas porções de mim
Espalhadas em volta
Em movimento
Que é todos pontos
Deste círculo
Que sempre recomeça
(re)Voltando

Mayara Floss

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sobre fotojornalismo e lobos

   Antigamente, ainda no século XIX a fotografia jornalísitica tinha pouco espaço, os senhores de chapéu e suas damas preferiam as gravuras artíticas para ilustrar os jornais da época, para “proteger” as artes manuais da fotografia mecânica. Niépce por volta de 1830 que concebeu as primeiras fotografias e só depois de meio século que tiveram mais aceitação no meio jornalístico.

    O que levaram as fotos para a vanguarda dos jornais foram as Guerras, as mais fantásticas foram a  Guerra da Criméia, na Espanha, e a Guerra da Secessão, nos EUA, durante a metade do século XIX. E como a sociedade não podia parar com a invenção do telégrafo as informações corriam e a necessidade deste realismo e rapidez a fotografica consolidou o seu espaço.

    Foi por aí que a fotografia começou a se tornar uma forma de “olho do povo” ela era a denúncia, tinha a capacidade de provocar mudança e mostrar a verdade. Nisso, as máquinas foram evoluindo o que permitiu o surgimento da fotografia cândida (aquela em que o fotografado não sabe que estão tirando a foto). Aliás o culpado por este tipo de foto foi Erich Salomon, considerado o pai do “foto jornalismo”, sua máquina era prática e compacta, e isso deixava que ele fizesse imagens sem pose, roubadas e espontâneas. 

A fotografia que marcou a carreira de Erich Salomon

    E, hoje, com as máquinas cada vez mais compactas, a internet mais rápida, a  fotografia jornalística vive um momento onde busca se reafirmar como documento incontestável de uma realidade e sair da banalização da informação causada pela massificação dos meios de comunicação digital e da própria fotografia. Vivendo como lobos da própria alcateia.

    Vivemos em uma época em que qualquer pessoa com um celular provido de câmera é um fotojornalista em potencial (e também onde qualquer fotografia de um ex-algumacoisa roda o mundo em poucos minutos). A tendência é isso aumentar cada vez mais, por esse motivo, a nobre profissão de fotojornalista está escasseando cada vez mais. A tecnologia que outrora impulsionou milhares de pessoas a chegar a um patamar muito privilegiado de status, hoje as leva pelo caminho contrário, o da mediocridade. E seguimos remando e fotografando nesse mar de informações.

Marcha em Florianópolis, um exemplo de fotojornalismo hoje - por Fabiano Trichez

Um pouco de história da fotografia, vamos trazer mais textos assim.

Por Fabiano Trichez & Mayara Floss

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Armário




O tempo passa
Conforme trocamos de roupa
As lembranças são como os cabides
E vamos nos mudando.
Como o tempo ainda anda
O passado fica no armário
Pendurado nas horas
As roupas são eternos pedaços
Vamos trocando as gavetas
Mas elas são cheias de memórias
Guardamos as estações
Nas camisas, camisetas, casacos, calças,
calcinhas , calções, cachecóis, cuecas...
Batemos o pó das horas
Nos lenços que cobrem
E descobrem nossas faces
Vestimo-nos em nossa pele
Nada como as roupas
que ficam para trás
Como os tip-tops, vestidos, saias,
tudo da velha moda
Que fazemos parte
  
Mayara Floss

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Pirulito


É um desses dias de asfalto, correria e calçadas. Avisto ao longe um pai empurrando a carroça, não me pergunte como sei que é pai, mas sei. A força dos músculos na subida, o sol penoso, forte, cega os olhos. O que chama a atenção não é o homem, mas a pequena menina acomodada no meio do papelão, com um que parece uma casinha para ter um pouco de sombra, ela dorme. A mãe está longe nas lixeiras à frente procurando, papelão, papéis, garrafas, latinhas ou o que conseguir aproveitar – sorte era achar as latinhas que valiam mais.


A mãe já com o ventre se alongando novamente. Penso que mal teve tempo de ver a outra filha. Ao lado corre um cachorro faceiro que sempre anda com eles, incrível como nunca para de balançar o rabo e nunca guarda rancores, às vezes o homem esbraveja com o cão, mas quando desce da carroça afaga as orelhas caninas. Com o solavanco da parada a menina acorda, um pouco desnorteada.


A menina barrigudinha e com os cabelos crespos desgrenhados, preto, alguns dentes faltando, uma blusa que deixa aparecer a barriga, um calção e os pés descalços. Deve ter uns quatro ou cinco anos. Ainda assim, bonita na sua meninice. Vejo ela chamando o pai que está pegando uma monte de caixas de sapatos frente a uma loja, é o centro da cidade. As buzinas começam a tocar, ele está atrapalhando o trânsito. É difícil concorrer com os automóveis, e as paradas para coletar o papelão geram vários xingamentos, “vagabundo” é o mais comum. Ou “vai trabalhar vagabundo”. Questiono-me se não é exatamente o que ele está fazendo. A pressa moderna cega os olhos dos homens dentro dos seus carros velozes. Hoje não é diferente.


A mãe termina de colocar mais caixas de papelão que a menina vai pisando em cima para conseguir se acomodar novamente, nesse meio-tempo o pai sobe na carroça e dá outro solavanco porque o trânsito não pode parar, nem esperar. Percebo que dobra as costas ao ouvir os xingamentos, e apenas abaixa a cabeça e segue levando a carroça, parece que até o cavalo sente a briga do trânsito e segue com os passos mais apertados. A menina ignora tudo, esse é a impressão. E cutuca o pai pelas costas e pede algo no seu ouvido.


O pai faz sinal para esperar. E na próxima parada antes de descer pega uma mochila velha que estava de lado na carroça e puxa um pirulito. Um desses grandões coloridos, aquele redemoinho de cores, amarelo, vermelho, azul, verde... A menina segura no cabo do pirulito e esconde-se atrás daquele emaranhado de cores. Todo o rosto dela fica escondido em meio a uma lambida e quando a língua dela chega ao final da coluna solta uma gargalhada dessas doces, que enchem a nossa alma de alegria. Mas não vejo mais a sua face, sei que sorri por trás do pirulito e já começa avidamente outro processo de degustação.


Sentou as perninhas balançando no ar. o pirulito parecia mágico, furando o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio – como diria Drummond. E assim, permaneceram para sempre, uma família bela, como um filme em câmera lenta, o pai levando o carrinho, a mãe correndo na frente adiantando o serviço de encontrar o material para reciclar e, o sorriso da menina escondido atrás do grande pirulito: indecifrável e inesquecível.

Mayara Floss

domingo, 29 de julho de 2012

Prêmio TopBlog 2012


Caros,

Mais um ano, mais um prêmio TopBlog. E com a colocação ótima no ano passado, estamos querendo construir novamente uma boa colocação neste ano de 2012. Para participar é muito simples é só clicar no link: http://www.topblog.com.br/2012/index.php?pg=busca&c_b=11126172 e votar, pode ser via facebook, twitter ou e-mail.

São quase 3 anos de blog e mais de 300 fotografias e textos que dividimos com vocês. Caminhos que estamos construindo, crescendo e se aperfeiçoando.

Gratos pelas visitas, pelos comentários e pelo carinho!

Fabiano Trichez & Mayara Floss
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