sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Quadros


Faça um som ruim
Para me despertar,
Conte tudo sobre a tua vida
Mas nunca fale do coração

Encontre a receita da felicidade
Na banca de revistas
Mas, claro, alguém sempre já
versificou antes

E a sua mão vai estar
na loja da esquina
Não esqueça de pedir o segredo
e alguma esperança de brinde

Não é culpa sua
Se trocar os sentimentos pela nova moda
Porém, não esqueça de trocar
os canais da televisão

Também, não saia do ritmo
que a alegria é a próxima
mercadoria de jornal

Tantas cartolas já saíram
dos meus coelhos
Que o meu rock
mais parece samba

Deixei as cartas no portão
E essa noite o sol vai brilhar
Mas não prometa nada
Pois já rubaram o brilho da lua

E o próximo eclipse
Esta na prateleira de qualquer lugar
Já procurei consolo
Mas o remoto controle não tem a geografia
Das tuas mãos

Embora não precise se preocupar,
Pois para todo nó na garganta
Existe uma superstição

Mayara Floss

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Exílio

Foto: Fabiano Trichez

E na sua escuridão
Ficava mudo
Só lia as sombras
Não encontrava as palavras
Apenas escutava as corridas
O campear, as asas
E as cordas golpeadas
Perdidas no silêncio
Vibravam como um tormento
E ele apenas pedia tempo
Para soar uma lembrança
Uma lágrima, uma desesperança
Sentia o pago iluminado
E sabia que a noite tinha convidado
A campear a volta
Com as estrelas de escolta
A procura da sua querência
Pedia em cada despedia
Para orar em sua ausência
Solitário sentia a melodia
E a sua cicatriz ardia
Procurando o seu exílio
Contava a sua história
Revivia a sua memória
Sentia a batalha em seus dedos
E via o último instante da navalha
Do fogo e apenas lembrava
Da última imagem da sua amada
E de tanto procurar,
Às vezes pensava
Se naquela escuridão
Ainda iria encontrar
Motivos para sua canção
E deixava os versos dissonantes
Guardava as lágrimas
Para quando iria deixar de ser errante
E abraçar a sua prenda
Antes que o tempo o prenda
Nos espinhos da Rosa Flor
Seu eterno amor
E nos braços da sua amada
Reencontre a sua morada

Mayara Floss

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Formalidades

Foto: Fabiano Trichez

As maiores formalidades não passam de pés descalços.

Mayara Floss

sábado, 23 de outubro de 2010

Quem sou eu?

Foto: Fabiano Trichez

Já sentou na beira do mar procurando o horizonte?
Tentando descobrir onde o sol nasce
E a lua se põe?
Traçando a linha entre o céu e o mar
A indefinição entre dia e noite
E o reflexo da cor do céu na água
Ou a pagua que reflete o céu
Eu sou o horizonte
Quando abraçá-lo
Provavelmente ficarás sem definições

Mayara Floss

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Grafite

Foto: Fabiano Trichez

O grafite arranha a folha de papel
que deixa-se escrever
A folha arranha o grafite
Riscando as próprias entrelinhas
Acaba-se o lápis
Mas deixa-se um legado de palavras
E eu apenas evelheço entre o atrito
dos versos
Sou preto-e-branco
nos meus poemas
E colorida em grafite

Mayara Floss

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Aniversário


Hoje o "entre-primos" faz um ano. E depois de muito tempo sem nos ver (afinal, ele em SC e eu no RS), sentamos em um muro para conversar sobre o trabalho. Depois de muito esforço já podemos ver nosso sentimento correndo por outros blogs, algumas entrevistas e, espero que o principal, as nossas palavras e sentimento chegando até o leitor. Afinal, poemas não tem dono apenas aquele que lê e sente e se torna o dono do sentimento. Parece pouco, mas deixamos as nossas impressões e marcamos os momentos (pelo foco da máquina ou pelo lápis) e tentamos dividi-lo da melhor maneira possível com vocês. Deixo este poema para comemorar o aniversário do blog:

Poema sem dono

Poema não tem dono
Não faz aniversário
Muitas vezes é feito
de sentimento esquecido
Esquecido fica
Ilhado nas palavras
Palavras que não cheiram,
não pagam, não olham
Apenas esperam...
Pelo sentimento
Que guarde
dentro do próprio
coração

Mayara Floss

domingo, 10 de outubro de 2010

...

Foto: Fabiano Trichez

...Esqueceram os versos
Os adjetivos
Os substantivos compostos
E de tanta compostura
A postura se perdeu nos braços
E os abraços nas linhas
Das entrelinhas dos calçados
Descalços e cansados
Descansados e calados
Alados no amor
Desamados no calor
Calorosos no frio
Frívolos no verão
Eram tantas vezes
Que vez ou outra
Outro esquecimento
No cimento das horas
Oras sentidas
De sentimento
Que até os versos
Versaram sobre o seu esquecim...

Mayara Floss
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