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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Corpo e alma


No universo do corpo ambíguo do violão
Nas cordas rotas dos meus dedos
Que rasgam silêncios sem palavras
Apenas com sentimentos
Cada vibrar de som desta guitarra
Que pulsa nesta madeira
Que se deleita nas formas e trastes
Que desafinam o meu coração
Que estende-se em vida através dos dedos
E me desafiam neste bojo
Que entranham os sons de minh'alma
Neste poço de paixão
Neste guitarrear de sentidos
Somos corpo e alma, violão

Mayara Floss

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

(In)completa



Para cada lugar que fui
e que vou
Fui adotando novas pessoas
Para meu coração

Fui envolvendo novos
Pedaços de chão,
mar ou canção
Pequenas partes minhas

Fui deixando-me, também
pela estrada
Não com egoísmo
Mas por fazer parte
Daquilo que me participa

A vida é quebra-cabeça
E em cada pedaço
Vamos preenchendo os
nossos espaços

Encaixando as nossas
próprias peças
E confesso:
Só assim consigo ser
Sou completamente
(in)completa

Mayara Floss

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Partir

Foto: Fabiano Trichez

No paraíso do improviso
Talvez provisoriamente
Encontre as estrelas
E qualquer espaço
Se perde no universo
De qualquer inverso espacial

Na beira de qualquer estrada
Procurei você
De mão no chapéu
E com o chapéu na mão

E talvez a minha oração
Seja mais um pedaço de coração
Ou um coração em pedaços
Para justificar o céu cinza
Asfaltado de poeira

De pés descalços
E vidros descalços
Caminham pelo asfalto
Cuidando para não olhar para o alto
e perder-se no caminho

E caminho
Na minha caminhada
Pergunto para que lado
Está a minha encruzilhada
Para que lado fugi
onde me encontrei
e onde me perdi

Qualquer navio é embarque
E qualquer porto é chegada
E qualquer mar é partida
Enquanto partem-se os corações
marujos e navegantes

E partilham-se as histórias
Improvisadas de estrelas
E providas de escuridão
Em cada palavra
Palavreando o antigo refrão


Mayara Floss


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Aniversário


Hoje o "entre-primos" faz um ano. E depois de muito tempo sem nos ver (afinal, ele em SC e eu no RS), sentamos em um muro para conversar sobre o trabalho. Depois de muito esforço já podemos ver nosso sentimento correndo por outros blogs, algumas entrevistas e, espero que o principal, as nossas palavras e sentimento chegando até o leitor. Afinal, poemas não tem dono apenas aquele que lê e sente e se torna o dono do sentimento. Parece pouco, mas deixamos as nossas impressões e marcamos os momentos (pelo foco da máquina ou pelo lápis) e tentamos dividi-lo da melhor maneira possível com vocês. Deixo este poema para comemorar o aniversário do blog:

Poema sem dono

Poema não tem dono
Não faz aniversário
Muitas vezes é feito
de sentimento esquecido
Esquecido fica
Ilhado nas palavras
Palavras que não cheiram,
não pagam, não olham
Apenas esperam...
Pelo sentimento
Que guarde
dentro do próprio
coração

Mayara Floss

domingo, 21 de março de 2010

Destino

Foto: Fabiano Trichez
Para ti
Por susto
Ou insensatez
Crença ou descrença
Pego-me (des)acreditando
Acaso caio em teus braços
Ou o tempo anda confabulando
Como um velho trem
Repetindo o caminho
Voltando para casa
A cada estação
Marcando um horário
Um momento
Deixando meu coração
Para ti
E eu olhando pela janela
Descubro que nunca sai
Destes mesmos (a)braços
Mayara Floss

quarta-feira, 17 de março de 2010

Conspiração

Foto: Fabiano Trichez

Do céu azul
Fez-se escuridão
E as lágrimas
que não desceram pela minha face,
A chuva chorou por mim
O céu tremendo
Suplicava em luz
Conspirava o meu sentimento
E o pranto das nuvens
Falava pelo meu silêncio
Contemplando o céu em fúria
Não sabia se era o meu coração
Que de tanta ausência
Encontrava-o presente
E de tanta presença
Continuava ausente
Conspirando, por um momento
O céu pulsou meu sentimento
Desenhando no céu
Teu coração distante

Mayara Floss

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