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sábado, 3 de dezembro de 2011

Ser


Sou mais mar e flor
do que cabe nas palavras
dos poetas
Sou a pequena menina
A própria esquina
Sou vela de canção
E barco de coração
Sou o espelho
E o meu eu inteiro
Sou minha pele,
meu sono e minha
insônia
Minha garganta
Minha alma
E minha janta
Sou o passageiro
O entregador
E o mês de agosto
e janeiro
Até, o ano inteiro
Sou o médico e o estivador
E quando a maré está boa
Sou pescador
Desta lagoa
Sou sentimento
E até instrumento
Sou o vento que me bate
na face
E sou a face do interior
Como as palavras não se
fazem sem as letras
Sou alfabeto
Pedaço de estrela
E até um livro aberto
E às vezes fechado
Sou o muito obrigado
E areia
A sujeira
E o cansaço
Sou todo o espaço
Sou o infinito
E o infindável
cabe dentro de mim
Sou em todos os aspectos
O tato, o teto
E o inseto
Afinal, se no passado
fui madeira
Silêncio e até poeira
Hoje, sou violão
Pedaço de canção
Antiga oração
E inteira de coração

Mayara Floss

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

(In)completa



Para cada lugar que fui
e que vou
Fui adotando novas pessoas
Para meu coração

Fui envolvendo novos
Pedaços de chão,
mar ou canção
Pequenas partes minhas

Fui deixando-me, também
pela estrada
Não com egoísmo
Mas por fazer parte
Daquilo que me participa

A vida é quebra-cabeça
E em cada pedaço
Vamos preenchendo os
nossos espaços

Encaixando as nossas
próprias peças
E confesso:
Só assim consigo ser
Sou completamente
(in)completa

Mayara Floss

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Partida

Foto: Fabiano Trichez

Dedicado, com carinho, a Daniel A. B. Modolo

Tenho pavor de rearrumar as malas

Meias, sacolas de roupas sujas, calçados, carregador,
máquina, chave, aviso, passagens e a sensação
de estar esquecendo algo

E o inevitável sentimento de partida,
de volta a rotina
sem a presença

De ser forte o suficiente para segurar
o rio de lágrimas que transborda dentro de mim

E a alegria que me faz oscilar sem saber
se foi um sonho ou realidade,
Porém agora um passado que vibra na minha pele
Arrepia o meu corpo e me perde em ti
e na tua falta cheia de carinho

Embora acordada neste sonho-realidade
Sua marcas pela casa e tua ausência
parecem presente em cada canto
e neste presente de saudades
Brindo-te com este poema
De uma poetisa apertada
Que sente no peito doce
um gosto amargo
de saudades

Mayara Floss
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