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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Baú



Num baú que se afunda dentro de mim
Como um oceano em fúria, de fé e frio
Que se entranha no intimo
De uma tempestade de chuva
e vento que afundou o meu navio

E no fundo d'água levou meus segredos
Arranhou o meu peito
e se adentrou na mágoa
da maré que leva os pedaços
do barco do meu coração

E se a areia cansou de fugir do mar
e levar os destroços
O mar abraçou-a e fugiu em uma onda
para depois retornar com os meus
segredos abertos em um baú de solidão

Basta pedir se trouxeste o mapa
Ou algum pirata sorrateiro
Roubou o meu baú e escondeu-me
de todos os meus segredos.

Mayara Floss


domingo, 11 de julho de 2010

Ressaca

Foto: Fabiano Trichez

Com que desamor
Ou obstinada paixão
Deixam-se derramar
Os loucos suícidas

Não pela morte
Não pela vida
Mas pelo mar

Vi a lua se afogar
várias vezes
E continuar a refletir
Os raios do sol

Vi os barcos afundarem
Na turgidez marinha
E navegarem de volta
Contra todas as apostas

Vejo ainda
O sol morrer a cada horizonte
E renascer todas as manhãs

Vi as luzes flutuando
Nas águas calmas
encostando em minh'alma

Passaram os aniversários
As velas, os bolos
Enterrando a maré de histórias

E de todas as tortas estatísticas
Ou gauches probabilidades
O mar continua no mesmo ensejo

Abraçando a areia
e trazendo pirata tudo de volta
Na ressaca dos corsários perdidos

Mayara Floss
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