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sábado, 15 de setembro de 2012

Apagão




De repente eu estava torcendo
Para cair a luz
Enquanto a chuva batia na minha janela
Torcia para poder ficar eu, a chuva e a lua
(e talvez uma vela)
Tamborilando no tempo
No silêncio escuro da cidade
Afinal, nenhuma tempestade
É como meu interior
E nada como tocar um temporal
E sentir essa simpatia natural
Escorrendo em meu corpo
E toda a realidade
É apenas um lampejo de um trovão
Clareando minha alma
Nessa afinidade
Líquida de tempo e canção

Mayara Floss

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Corpo e alma


No universo do corpo ambíguo do violão
Nas cordas rotas dos meus dedos
Que rasgam silêncios sem palavras
Apenas com sentimentos
Cada vibrar de som desta guitarra
Que pulsa nesta madeira
Que se deleita nas formas e trastes
Que desafinam o meu coração
Que estende-se em vida através dos dedos
E me desafiam neste bojo
Que entranham os sons de minh'alma
Neste poço de paixão
Neste guitarrear de sentidos
Somos corpo e alma, violão

Mayara Floss

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Boca


Cuidado, que qualquer bar de esquina
Pode te embriagar
Que qualquer sufoco
Ardência e desânimo
Podem borrar a maquiagem
E quase conseguimos novamente
Contornamos a vida
Com um lápis
Mas é o lápis que risca
Os nossos limites
E se a lua tem uma face escura
O sol talvez possa também
não ser tanta luz
Talvez um quase brilho
Uma quase escuridão
Porque o cientificismo
Acaba com um olhar
E começa nos olhos
E de tantos quases, só prometa
Não desbotar o vermelho do batom
Porque os lábios
São o limite da solidão da alma
Mayara Floss

sábado, 25 de setembro de 2010

Tempo



Foto: Fabiano Trichez

O tempo foi riscando
Cicatrizando
Marcando
Rosto, mãos, pele
e coração

Cada alegria foi deixando uma marca
Uma experiência
Um risco
- rabisco

Foi contornando minh'alma
Levando minha calma
Quando olho para o horizonte
às vezes vejo a gente

Conduzindo a indesejada pela estrada
Ou a estrada conduzindo-a
- com e sem tempo

Mayara Floss

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Alma limpa

Foto: Fabiano Trichez

Com o tempo
Fui despindo-me
Deixando cada pedaço
Soltando cada sentimento
Foram caindo
Os receios, os medos,
os anseios
Fui ficando transparente
Encontrando aconchego
Perdendo as ilusões
Deixando de ser mais paixão
Fui confundindo
o céu e o mar
Fui deixando minhas pegadas
Apagando meus descaminhos
Minha alma foi ficando nua
Logo, meu barco não era partida
Não era chegada
Nem era porto
Nem era sem saída
Talvez, quase mar
mas não era céu
E então
meus olhos limpos
puderam dizer, enfim,
que sou apenas
amor

Mayara Floss
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