
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
O barco

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Entre as fórmulas e os versos

Bom, um pouco mais sobre o livro e o blog. Saiu hoje uma reportagem no jornal "Diário de Santa Maria". É estranho sermos foco de uma reportagem, ali nossos semblantes e a impressão que deixamos é o que revela-se impresso no jornal. Uma nova experiência. Saíram dois poemas do livro que tomarei a liberdade de colocar aqui também (um deles saiu incompleto no jornal - Torneira).
TorneiraO que fazer (pin)Com uma torneira pingando (ando)À (pin) noite (ando)Pre (pin) guiça de le(ando)vantarPin - andoCober(pin)tor quen(ando)tePin-g-andoO(pin) tem(ando)poDes(pin)lizando (ando) pe(pin)loRaloPin-g-ando.'.DiárioCafeínaCorre, percorreUm espasmo de adrenalinaSobe-desce de escadaSilêncioExceto pelo pulsoAceleradoFuga, fugazPrisioneirosDe um soluço reprimidoDe uma rotina no máximoQue nos mantém no mínimo
Mayara Floss
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Embalando

Os abraços ficam pequenos
A dança corre pela ponta dos pés
E vai até a ponta dos dedos
Nesse embalo de dança
Nesse ensaio, nesse enlaço que chamamos vida
Talvez um pé de sapatilha
Ficou perdido em alguma esquina
Mas os olhos felizes da bailarina
Deixam um pedaço de vestido suspenso no ar
E um sorriso levado rodando em algum passo
Não se desculpe se o seu sorriso
Deixou todos perdidos
No palco da existência
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Passagem

Correndo pela vida
Meu comboio pede passagem
Aliás, meu passaporte caiu
Em alguma esquina
Sobrou um pouco de mim
Em cada canto
E minha passagem deixou rastros
Passados
Talvez um pouco do meu coração ficou
em algum desses lugares ou carreguei de passagem
o coração de alguém, em uma das minha viagens
Restou-me a passagem
Passando por esta vida
Talvez o troco, cobrador, na próxima esquina?
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Crepúsculo
Engolindo todos so ruídos
Abocanhando os raios de sol
Soltando suspiros de estrelas
A noite foi chegando lenta
Manchando o céu de negro
A lua aparecia para o seu reinado
Roubando os reflexos do sol
Enquanto meus olhos
Perdiam-se na escuridão
Encontrei sua mão silenciosa...
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
“Habilidades”
Levantar paredes, contra o frio o calor
e a luz
Cortinas para parar o luar – o pouco que ainda
entrava pelas janelas
O ser humano nem mais precisa de jardim,
Já inventou o vaso
Nem os cachorros se divertem mais
Agora o varal fica bem fica bem no alto longe
Das suas patas que, aliás, nem se sujam mais
Até o revolucionário guarda-chuva
Afasta-nos do céu
Pobres crianças “não corram”
- tem o vizinho de baixo –
Frustrados desde o princípio pela grama sintética
Da minha janela não vejo o sol.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Desassossego
Silêncio
(mas com as buzinas de fundo)
Luzes
(mas reflexo do asfalto opaco)
Leva tijolo,
Tira a rede,
Ergue parede.
Passos, passa, passo
A cobrar
Fecho as mãos
Ali, cabe um a criança
Um cobertor de jornal
Um chaveiro sem chaves
Um sorriso sem alegria
Uma pressa,
Inconstante
Presa num soluço,
Dos olhos que não vêem
Das moedas que não caem,
Do frio da calçada, da laje, do chão
Da criança parada.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Ventana de las hormiguitas
De la ventana
El invadir del sol
Deja el cielo como un reflejo
Abajo del parasol
La gente deja la sensación
de hormigueo
Allí, todas son coordinadas
Y el reflejar de la luz del día
Deja las sombrillas amarillas
Con cada hormiguita
Tomando su papel de operaria
En la jornada del tiempo,
Sin pensar, día después de día...
sábado, 28 de novembro de 2009
Soneto do vento
Senti o vento me cortando o rosto
E derrubando as folhas amareladas no chão
Cercando-me, levando-me
Buscando presença
Senti meus cabelos soltos
E a paz no meu coração
O vento levou parte do meu peso
Deixou-me leve, contra o senso físico
Senti o meu nariz vermelho
E os lábios gelados
(mas quente por dentro)
Estava parada
O vento parou
E ficou uma brisa em mim
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Fenda

Monteiro Lobato
Queimou-me o rosto
Deixou seus raios alcançarem
meus olhos cansados
E por falar em cansaço
Caíram as sombras
Calaram-se os fracassos
Aproximou-se a distância
Sinto como se cada parte minha
Tivesse ficado em outra peça, em outro canto,
Porque o momento agora é silêncio
O sol abriu as fendas,
Enquanto metade de mim grita
A outra cala por dentro
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Então é natal
Os pisca-piscas das vitrines
E as árvores americanas
Enfeitam o ambiente
(ainda creio que o papai Noel morre de calor
pelo menos nos países tropicais)
Isso já não faz tanta diferença
Desta vez, os presentes em baixo da árvore
Parecem caixas vazias
Lembra-se do natal na sua companhia?
Bom, a ponte ainda sustenta
As luzes,
Hercílio luz!
Pisca-pisca
Ainda liga a ilha ao continente,
E pisca-pisca os nosso corações
Ligados por uma data tão de mentirinha...
domingo, 22 de novembro de 2009
Reflexo

Nesse olhar inseguro
Que me estranha
E parece estar em cima do muro
Que olhos são esses
Perdidos e profundos
Que rugas são essas,
Pertencem a esse mundo?
Que desconfiança se estampa?
É por causa do reflexo difuso?
Estranho e obtuso.
Conheço-te
Estranho-te
E descubro,
Que a cinza do tempo
Deixou meus olhos confusos.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Livro: Falta um poema...
Bom, depois de muito esforço está aqui um pouco do meu trabalho. Esta semana os primeiros exemplares estão à venda nas livrarias de Santa Maria (CESMA, Livraria da Mente e Sebo Café). Espero que gostem! Aproveito para agradecer novamente a todos que ajudaram a fazer desse sonho realidade. Espero também que para cada um que leia ou ouça os poemas possa ter "metamorfosear" como eu quando os escrevi.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Meu canto
Preferi silenciar as palmeiras
E cantar as araucárias
Elas sim, mais do que crescerem
Conseguem abrigar os pássaros e seus ninhos
Podem suspender os galhos
Aninhando um abraço
Estender as mãos cobrindo o chão,
Abençoando
Quem busca colo no seu tronco
Neste chão, de outros primores
Desta terra, de outro céu
Neste vento gelado do sul
Da janela,
Vejo as araucárias
E do canto da floresta
Escuto uma gralha no seu canto
Este canto,
é mais meu canto
E me desculpe,
Mas não é o sábia.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Bolha
Por algum momento
Suspendeu-se no ar
Prendeu o reflexo no seu entorno
E o contorno
Voou leve,
Como um carinho do vento
Carregou-a por mais alguns instantes
E como um sonho
Desfez-se.
Para o engano
De quem a criou
Embora, poder ter voado
Tenha valido mais do que
Sempre manter os pés no chão
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Suspeito
Entre-entrando
Neste poema
Suspeitoso e miando
Parece perguntar:
Quem está se intrometendo no meu espaço?
Mas seu traço
Foi pintado por um poeta
E ficará sempre na distância
Entre o pincel das palavras
e seus olhos desconfiados
sábado, 7 de novembro de 2009
Soneto da Esperança

Ainda façam o laço de um abraço
Enquanto eu sentir a brisa cortando o meu rosto,
Continuará a arrepiar minha pele
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Embriaguez tecnológica
Tecno-lógica
Lógica tecnológica
A rede enlia os próprios
pescadores de mouses
Ratos
Roubôs, rôbos, roubos
Tec-tec
Para-nóia
Chips, bits, bytes
A mão caquética divide-se
em movimentos repe-ti-ti-vos
Sites
Lógica,
Analógico,
Ilógico
Gestos, restos
Arqui-vivos
deletar
domingo, 1 de novembro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
A espera

terça-feira, 27 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Instante

O vento forte parou
Repentinamente
Deixou que as folhas
caíssem no chão
Que a menina fechasse a porta
Que o cachorro chegasse a um abrigo
O tempo parou alguns instantes
O novelo de lã rolou do gato
E o padeiro colocou pães no forno.
O caminhoneiro terminou a curva
E de repente um clarão
Inundou o céu
E o temporal rompeu o silêncio
E deixou que o tempo voltasse a correr
Mayara Floss
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Chaleira
O fogo quente
Não faltam gravetos
A chama ardente
Aquece com calma
A chaleira esmaltada
Ferve com brasa
Quase um museu
Na esquina da cozinha
O fogão a lenha aninha
Passa-tempo
Tolerante
Com o clima,
Interior...
terça-feira, 20 de outubro de 2009
domingo, 18 de outubro de 2009
Carretel

Escorre entre os dedos
Acostumados com o sol
As iscas distinguem o pescador
Do pescado
Mas quem será realmente fisgado
Pelo prazer do sal do mar
Hoje o tempo é nublado
E a vida escapa em um cardume
Para não ser fisgada
Pelo mar que estoura na pedra
E esparrama as lágrimas de sal
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Ás de espada

Entre todos os reis
Todas as damas
Valetes,
Entre todas as fichas
Verdes, brancas, vermelhas
Entre todo o silêncio depois
de embaralhado
Entre todo o barulho antes
da entrega das cartas
Entre todos e todas
Sozinho
o Ás de espada
Cravado
Entre a vitória e a derrota
Em cima de todos os segredos.
Mayara Floss
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Lágrima
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Vinil
Risca o disco fino
Como o tempo risca
A minha pele fina
Cala com o som do disco
E o som do disco cala
Com a voz da minha alma
Despreendem-se
Os músicos e prendem-se
os meus ouvidos